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Andrei Koscina

Andrei Koscina

O fotógrafo e cineasta Andrei Koscina, vivendo seu filme em Londres

ANDREI KOSCINA é um super pai, tem muito orgulho do único filho, isso ele demonstra em poucas palavras, porém com intensidade, de ter o sentimento que cumpriu o seu papel. Além de deixar bem claro que sabe o que faz e onde deseja chegar. 

Com três nacionalidades – uma mistura de chileno, brasileiro e francês – o fotógrafo profissional também é cineasta. Ele nasceu no Chile, filho de pai chileno e descendente de croatas, e mãe brasileira. Atualmente, Andrei vive em Londres, pode-se dizer que passa a maioria do seu tempo no Reino Unido, porém vive viajando, principalmente, para a Rússia. Lugar este que encanta as lentes e o coração do fotógrafo!

Ultimamente, ele se dedica na especialidade do segmento de fotografia corporativa e estilo de vida, além de estar se preparando na função de cineasta para dirigir curtas e longas-metragens.

Vamos conhecer a incrível história desse profissional que concedeu uma entrevista ao LauraArruda.com.

Me conta quando saiu do seu país de origem?

Eu nasci em 1968, praticamente dentro de um avião. Meus pais viajavam bastante entre o Brasil, Uruguai, Argentina e Chile, talvez seja esse o motivo de ter sido tão natural ter me desprendido do Brasil, aos 19 anos, vindo à Londres pela primeira vez, em 1989. Retornando a Londres só em 1994, quando passei um ano trabalhando em hotelaria.  Por fim, voltei em 2007 com minha esposa e meu filho, que na época estava com quatro anos.

O que te motivou viver em Londres? 

Já conhecia muito bem Londres e sempre me senti em casa nesta cidade. Diria que a razão principal foi a afinidade cultural que sempre tive desde a infância, escutando músicas e vendo filmes ingleses. Queria estar perto de onde as coisas acontecem e viver este filme na minha cabeça.

“…sempre gostei de chegar em um lugar sem saber muito a respeito e deixar as coisas acontecerem”.

Qual foi a primeira sensação quando chegou na cidade? 

A sensação que senti quando cheguei em Londres a primeira vez, em 89, foi como se já tivesse estado aqui. Lembro-me de ter os olhos úmidos de emoção ao ver a cidade pela janela do avião, com a sensação de estar voltando para casa. Inexplicável!

Andrei Koscina
Modelo: Victor Fraga, crítico de cinema brasileiro, baseado em Londres. “Foi a primeira foto editorial que fiz e significa muito pra mim, pois além de ter descoberto esse interesse no segmento profissional, a foto foi feita no primeiro cinema da Inglaterra – Regents Cinema – e enquanto passava o primeiro filme da história em um cinema, “Arrive of a train a La Ciota (1895)”, dos irmãos Lumiere. Foto: Andrei Koscina

Qual a diferença que você notou na época, visto que hoje a cidade é bem diferente?

Londres mudou muito desde então. A cidade se modernizou, expandiu seu sistema de transporte e melhorou a gastronomia, radicalmente, mas se tornou muito mais cheia do que era antes. Canary Wharf, por exemplo, não existia, lembro-me que era um enorme terreno vazio e bairros que hoje são considerados Hipsters, como Shoreditch, Hackney e Hoxton, ninguém se atrevia a passar perto. Não faziam parte do roteiro turístico, nem local.

Cada país possui suas tradições, como foi a sua reação ao deparar com outras culturas? 

Eu já nasci em uma família multicultural. Minha mãe costumava dizer que éramos a sede da ONU. Sempre convivemos com amigos e familiares de vários países e isso influenciou muito a minha maneira de ser. Nunca fui, digamos, um típico menino brasileiro. Eu vinha com fortes influências da minha educação no Chile, durante os anos 70, em plena ditadura Pinochet. Esta experiência multicultural me preparou para vir para a Europa, quando adulto, e me adaptar facilmente a este país.

“Sair da nossa zona de conforto … pode nos incomodar no início, afrontar, desafiar, mas nos faz questionar nossas verdades, nossos pontos de vistas e assim podemos expandir nossa mente e nossa alma, nos fazendo menos preconceituosos e intolerantes com aquilo que achamos diferente”.

Nos conte, qual cultura que mais te marcou? 

Esta é a pergunta mais difícil de responder por causa das experiências intensas que vivi em outros países, como por exemplo a Espanha. Porém, como fui casado por 20 anos com uma francesa, e tenho um filho francês brasileiro, diria que a cultura francesa é a que eu mais me identifico na Europa.

Após tantas idas e vindas, qual comida você mais gosta? De qual país? 

Poderia citar a comida francesa, italiana, brasileira, mas vou adicionar uma que hoje adoro que é da Geórgia, e que descobri nas seguidas viagens que faço à Rússia. Um prato que adoro é o Satsivi, um prato feito com frango e molho de Nozes.

Quais idiomas você domina?

Minha língua materna é o português e espanhol, e falo fluente inglês e francês e entendo italiano e catalão. No momento estou começando a aprender um pouco de russo.

Hoje, se pudesse voltar atrás, teria feito o mesmo?

Faria, mas de outra forma. Felizmente, não tínhamos internet nos anos 80 porque eu sempre gostei de chegar em um lugar sem saber muito a respeito e deixar as coisas acontecerem. Acho que tenho esse lado Woodstock na alma. 

“Provei para mim mesmo que poderia crescer em um país distante, longe da família e de amigos. Provei que poderia enfrentar este super desafio…”

O que você realizou vivendo no exterior? 

Provei para mim mesmo que poderia crescer em um país distante, longe da família e de amigos. Provei que poderia enfrentar este super desafio de vir com um filho, ainda pequeno, sem trabalho certo e nem moradia, e sair vitorioso.

O que, Andrei Koscina, ainda deseja realizar?

Seguir me aperfeiçoando e criando projetos novos em cinema e
fotografia.

“Não é incomum que nos sintamos, muitas vezes, sozinhos e perdidos porque perdemos, às vezes, nossas referências e nosso chão. Contudo, somos desafiados, constantemente, dentro de um sistema onde existe muito individualismo e indiferença”.

Andrei Koscina
Modelo: Rafael dos Santos, empreendedor e palestrante brasileiro em Londres. “Esta foi a primeira foto que fiz para Rafael, entre as centenas nestes três anos de parceria. Foi a partir desta foto que começamos a trabalhar em parceria”. Foto: Andrei Koscina

E, o que você diria para quem deseja ter a experiência de viver no exterior?

Seria muito bom se todos quisessem e pudessem ter esta experiência fora de seu país e explorar novas formas de viver e ver a vida. Sair da nossa zona de conforto e da nossa bolha pode nos incomodar no início, pode nos afrontar, nos desafiar, mas nos faz questionar nossas verdades, nossos pontos de vistas e assim podemos expandir nossa mente e nossa alma, nos fazendo menos preconceituosos e intolerantes com aquilo que achamos diferente.

Viver em outro país tem o lado positivo e negativo, qual seria para você?

Crescimento, expansão da mente, cultura e conhecimento. Não é incomum que nos sintamos, muitas vezes, sozinhos e perdidos porque perdemos, às vezes, nossas referências e nosso chão. Contudo, somos desafiados, constantemente, dentro de um sistema onde existe muito individualismo e indiferença.

Por que você escolheu a profissão de fotógrafo?

Ao longo da vida, mudei diversas vezes de trabalhos, nunca me sentia satisfeito com o que fazia. Me formei em Publicidade e Propaganda pela FAMECOS-RS. Minha primeira inspiração em fotografia foi com o professor e diretor de cinema, Carlos Gerbase.

Jamais imaginei que me tornaria um cineasta e fotógrafo, mas só aconteceu tudo isso porque aos 45 anos percebi que o tempo passava e eu não trabalhava em algo com paixão, e sim por dinheiro. Foi quando decidi que era hora de assumir meu lado artístico e juntar com minha experiência de empreendedor”.


Andrei Koscina
Modelo: Alexandra Suslikova, personal trainner e blogger russa que vive em Moscow. “Foi minha primeira foto feita em studio em 2020 na Russia. Tenho laços emocionais com estas fotos”. Foto: Andrei Koscina

Conte-nos, quais os serviços que você presta?

Fotografia corporativas, estilo de vida, moda e hotéis de luxo. Estou trabalhando há dois anos em dois projetos para um longa-metragem, inclusive um deles, será no Brasil, com grandes atores e escrito pela Best Seller – Martha Medeiros. Porém, com os fundos setoriais parados, a pré produção também se estagnou. Todavia, a autora lançou, recentemente, pela editora L&PM, o romance baseado no roteiro do filme que se chama “A Claridade Lá Fora”. 

Não consigo fazer algo sem intensidade, sem acreditar que aquilo fará diferença na vida de alguém. Se há algo que aprendi com minha familia é “faça tudo com amor e paixão, pois certamente você estará ajudando a você mesmo e aos outros”.

Como você trabalha com os clientes?

Para sessões fotográficas eu procuro escutar o cliente, tais como o que ele necessita, no que ele trabalha ou deseja fazer com as fotos. Em seguida, inicio a trabalhar nas minhas ideias de pré-produção, como orientar e ajudar o cliente desde a escolha dos trajes, a melhor roupa para a ocasião, a paleta de cores, cabelo, maquiagem, locação, cenário, detalhes de acessórios, poses, e por aí vai. Tudo isso pensando, mesmo antes de ir ao estúdio, na rua, ou onde for as fotos.

Deixe-nos uma mensagem motivadora:

Não me canso de repetir que a palavra que me move é a paixão, seja nas relações afetivas ou profissionais. Não consigo fazer algo sem intensidade, sem acreditar que aquilo fará diferença na vida de alguém. Se há algo que aprendi com minha familia é “faça tudo com amor e paixão, pois certamente você estará ajudando a você mesmo e aos outros”.

Você pode encontrar Andrei Koscina por email, telefone, Instagram (https://www.instagram.com/andrei.koscina.photographer/) e Linkedin. Além da página www.andreikoscina.co.uk Acesse AQUI.


Por Laura Arruda

Fotos: Andrei Koscina

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