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“Como cheguei em Dublin”, por Willian Fideles

Após cinco anos do início da aventura de morar fora do Brasil, este é um excelente momento para fazer uma reflexão sobre esse tempo fora de “casa”.

O ano era 2015 e após passar por um problema de saúde e ficar desempregado, o desejo e, a vontade de realizar um sonho de adolescência veio à tona com força total. Foi dada a largada para botar em prática o sonho, com a ajuda da terapia tomei coragem e fui em busca dos objetivos. Primeiro era fazer uma análise financeira para saber o quanto poderia gastar, e depois pesquisar mais afundo quais países iria caber nessa realidade.

Aprender inglês sempre foi a prioridade, então a busca foi focada nos países que tinha como língua oficial o inglês. Em todas as pesquisas, o país que sempre tinha o melhor preço de cursos e condições mais facilitadas de visto era a Irlanda, e assim o cenário foi se configurando e o projeto tomando corpo. Um outro ponto decisivo na escolha foi a possibilidade de poder trabalhar e estudar.

Juntei a grana, e ainda faltava uma quantia, fiz rifa de uma TV, onde vários amigos e alguns familiares me ajudaram, peguei mais um pouco emprestado e comprei um curso de seis meses, passagem e estadia para as primeiras semanas. Sai do Brasil no dia 28 de outubro de 2015, com destino a Dublin. Confesso que tinha muito medo e receio de tudo que vinha pela frente, mas parti rumo ao desconhecido para me aventurar em terras irlandesas.

A princípio o plano era estudar e arrumar um trabalho para pagar as contas, mas com muito pouco conhecimento do idioma, e as vezes vergonha de falar errado, nos primeiros meses foi muita dedicação ao estudo para aprimorar o conhecimento.

Quando se está na zona de conforto é muito difícil quebrar a barreira e enfrentar novos desafios, mas com muita força de vontade os objetivos vão sendo alcançados. A propaganda de muitas agências de intercâmbio é no intuito de fazer as pessoas acreditarem que é muito fácil arrumar emprego e se desenvolver. O certo é que cada pessoa vem com uma bagagem e a realidade não é a mesma para todos. No meu caso demorei um tempo para conseguir o primeiro emprego, pois além da dificuldade na comunicação, não tinha nenhuma pessoa conhecida para poder indicar ou auxiliar a arrumar um trabalho. Depois de cinco meses de muita procura foi que consegui. Sempre tive em mente que não seria fácil, mas foi a vivência que fez cair na realidade.

Outra dificuldade para algumas pessoas, é a moradia, pois para não se gastar muito tem que dividir casa às vezes com muita gente, e em alguns casos até a cama. No meu caso tive um pouco de sorte, não passei muito perrengue para arrumar uma vaga definitiva, mas era um espaço relativamente grande, onde dividia a casa com mais nove rapazes, todos brasileiros que também vieram para estudar.

Com o tempo a vida foi se encaixando e fui me adaptando com a nova realidade, entre estudo e trabalho em uma área totalmente diferente do que exercia no Brasil. Jornalista de formação, com dez anos de experiência em diversos campos, por aqui comecei a trabalhar na limpeza da cozinha de um restaurante. Muitos momentos difíceis, passando por cima de muita coisa para atingir o objetivo.

Me orgulho de cada conquista e me alegro com minha trajetória, faria tudo novamente sem sombra de dúvidas.

Se eu pudesse dar um conselho para alguém que tem vontade de sair do Brasil, são muitos, mas vou falar os principais que eu penso ser os mais importantes.

Primeiro pesquise, mas pesquise muito sobre o lugar onde está indo, às questões de imigração, trabalho, estudo, acomodação, saúde, veracidade das agencias (sim existe muitos golpes), e tudo que puder mais.

Estude o idioma do país que está indo, por mais que a pessoa esteja indo para estudar, faz muita diferença já ir com uma base e não chegar sem nada.

Planeje tudo, coloque numa planilha os custos de tudo, para não passar necessidade, pois quando se está fora é cada um por si.

E não menos importante, tenha em mente que a vida vai ter transformações constantes, se desfazer de vaidades e encarar os obstáculos de cabeça erguida. A pessoa que saiu nunca mais será a mesma, pois o crescimento pessoal é um caminho sem volta.

Algo que sempre digo em conversas com amigos é que se todos tivessem a oportunidade de viver um tempo fora, a realidade do nosso Brasil seria completamente diferente, pois passamos a ver o mundo com outros olhos. 

WILLIAN FIDELES, é jornalista por formação e atualmente vive em Dublin, na Irlanda. Contatos por e-mail: [email protected] e instagram: @fideliswill.


Banco de imagens do Arquivo Pessoal


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